Do autor (59)

Cinzas do Norte – Companhia das Letras, edição de bolso, 2010

Romances  

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A cidade ilhada

Contos  

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Como disse uma vez o escritor argentino Julio Cortázar, o conto é uma pequena e perfeita esfera verbal que guarda uma única semente a ponto de eclodir. A semente pode ser de qualquer natureza — um lugar, um rosto, um episódio —, contanto que as mãos hábeis do bom contista saibam torná-la o ponto central a partir do qual se forma a esfera narrativa. Desse feitio, justamente, são os contos que Milton Hatoum reuniu em A cidade ilhada: relances da experiência vivida recolhidos em tramas brevíssimas, de dicção enxuta, em que tudo ganha nitidez máxima — e máximo poder de iluminação. As sementes destes contos não poderiam ser mais diversas: a primeira visita a um bordel em “Varandas da Eva”; uma passagem de Euclides da Cunha em “Uma carta de Bancroft”; a vida de exilados em “Bárbara no inverno” ou “Enco fast cash advance ntros na península”; o amor platônico por uma inglesinha em “Uma estrangeira da nossa rua”. Com mão discreta e madura, Hatoum trabalha esses fragmentos da memória até que adquiram, sem que se adivinhe como ou quando, outro caráter: frutos do acaso e da biografia pessoal, eles afinal se mostram como imagens exemplares do curso de nossos […]

“Torn”

Contos, Short stories  

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Freedom, short stories celebrating the Universal Declaration of Human Rights “A rich new collection of stories by some of the best fiction writers in the world today. Each is inspired by the Universal Declaration of Human Rights, one of humankind’s greatest achievements. We are all born free, but do we all live free? Freedom presents a provocative mix of stories that move, challenge, inspire and entertain. From the street of Zimbabwe to the green spaces of Edinburgh, each author takes you on a unique and powerful journey. Mainstream Publishing, London, 2009

Representações do intelectual, de Edward Said

Traduções  

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Representações do intelectual reúne seis conferências de Edward Said  transmitidas pela BBC – as prestigiosas Reith Lectures, de que participaram grandes intelectuais europeus e norte-americanos, desde a inauguração do programa em 1948 por Bertrand Russell. O livro ocupa um lugar proeminente na vasta obra de Said, porque enlaça a sua vida profissional – professor de literatura,  pensador da cultura, crítico de música – com sua militância política. No conjunto dos ensaios, o leitor percebe que essas duas atividades são inseparáveis, a exemplo da vida e obra de Sartre, Adorno e Gramsci. Said recorre a esses intelectuais e a romancistas como Flaubert, James Joyce, Turguêniev e Virginia Woolf para examinar a relação do intelectual com o poder, a imprensa, as instituições e as grandes corporações. Uma de suas críticas mais contundentes dirige-se aos que se deixam levar por dogmas religiosos, patriotadas, questões estritamente nacionalistas e por um profissionalismo exacerbado.  Ele tenta mostrar que, para o intelectual secular, os deuses sempre falham, e que o profissionalismo e a especialização extremados podem significar alienação e indiferença. Para o autor de Orientalismo, o intelectual deve ser um amador e dissidente atuando à margem do poder, e não um especialista confinado em sua área de […]

“Esperidião”, de George Sand

Traduções  

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publicado em Contos de Horror do século XIX, organização e introdução de  Alberto Manguel Companhia das Letras, 2005

Crônica de duas cidades: Belém e Manaus

Ensaios/Críticas  

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Benedito Nunes e Milton Hatoum SECULT – Pará – 2006

Amazonas, palavras e imagens de um rio entre ruínas

Poesias  

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fotografia de Isabel Gouvêa, João Luiz Musa e Sônia da Silva Lorenz poesia de Milton Hatoum

Sur les ailes du Condor, Seuil Jenunesse

Infanto juvenil  

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Clarice Lispector (1920-1977) – El País

Ensaios/Críticas  

“A verdade é sempre um contacto interior inexplicável. A verdade é irreconhecível. Portanto não existe? Não, para os homens não existe”. Clarice Lispector, A hora da estrela (1977) Em 1920, aos dois meses de idade, Clarice Lispector fez sua primeira grande travessia, da longínqua Rússia ao Nordeste do Brasil. Filha de imigrantes judeus ucranianos, Clarice cresceu no calor de Recife (Pernambuco), onde morou dez anos; perdeu a mãe em 1930, e dez anos depois mudou-se com o pai e as duas irmãs para o Rio de Janeiro. A partir de 1944, quando se casou com um diplomata, morou em Belém (Pará), nos Estados Unidos e em vários países da Europa; durante a longa permanência no exterior, com temporadas no Brasil, escreveu e publicou dois romances (O Lustre e A Cidade Sitiada) e um livro de contos. Em 1959, quando voltou definitivamente ao Rio, já era considerada uma das maiores escritoras brasileiras. Recife, a cidade da infância e da juventude, foi a fonte dos primeiros escritos, de vários contos de Felicidade Clandestina (1971) e de crônicas publicadas no Jornal do Brasil. O drama pungente do imigrante do Nordeste aparece também na figura de Macabéa, uma pobre moça de Maceió (Alagoas), cujo destino […]

Leituras da juventude

Crônicas  

Quando estudava no ginásio Pedro II, em Manaus, lembro que um professor de literatura incluía no programa do curso alguns clássicos de outras regiões do Brasil. Ele nos dizia que o conhecimento da cultura do país passava pela literatura. O Nordeste de Graciliano Ramos e o Sul de Erico Verissimo provaram isso. Foi nessa época que li Vidas secas e, quase ao mesmo tempo, alguns trechos d’Os sertões e d’O continente, primeiro volume de O tempo e o vento. Ainda não tinha maturidade para assimilar o sentido histórico dessas obras, mas me deparei com imagens, situações e conflitos de um Brasil que me era estranho. E também com outro vocabulário. A descoberta de uma nova linguagem e de outra paisagem social e geográfica aconteceu em 1969, quando comecei a ler Grande sertão: veredas no colégio de aplicação da UnB (Brasília). Foi uma leitura penosa e meio arrastada. Só depois, no começo dos anos 70, pude ler o livro inteiro com disciplina e, por que não dizer, paixão.  Foi um dos livros mais surpreendentes de minha experiência de leitor. Nesse romance a complexidade é tão grande que as possibilidades de leitura tendem ao infinito. Daí as centenas de artigos, ensaios, dissertações […]