Do autor (59)

Uma lição de cinema, Revista TRIP

Ensaios/Críticas  

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O filho mais querido é o pequeno até crescer, o doente até sarar, e o ausente até voltar.

Ditado árabe

Não é comum um grande livro de ficção inspirar um grande filme. Mais raro ainda é o diretor do filme aceitar o desafio do texto e transformá-lo também numa aventura da linguagem.

Palmeiras Selvagens

Ensaios/Críticas  

“Palmeiras Selvagens” (1939), de William Faulkner, é tão fascinante quanto “Luz de Agosto” e “O Som e a Fúria”. Duas histórias compõem esse romance estranho e ousado, narrado com frases longas e cheias de incisos. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1206200503.htm

“Dois romances de duas cidades” – resenha sobre Miramar e O beco do Pilão, de Naguib Mahfouz

Ensaios/Críticas  

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Alexandria, jóia do Levante, é considerada volúvel, sinuosa, cosmopolita, lasciva. A cidade do Cairo, por sua vez, é séria, intelectual, internacional, árabe e islâmica (1). Essa oposição entre as cidades mais importantes do Egito se ajusta, até certo ponto, ao ambiente de dois romances de Naguib Mahfuz: “Miramar” e “O Beco do Pilão”.

Final de jogo, crônica publicada na Folha de S.Paulo, 03/07/2002

Crônicas  

Dizem que a Alemanha pode vangloriar-se por ter feito três boas traduções dos textos árabes de “”As Mil e Uma Noites”. Nós, que infelizmente não temos nenhuma tradução do original, nos contentamos com outras magias. Foram os gênios brasileiros que, em carne e osso, saíram da garrafa na última noite da Copa no Oriente.

A copa dos insones, Folha de S.Paulo, 17/12/2002

Crônicas  

Bem-aventurada a Copa na Ásia, que dá aos insones um pouco de ânimo e emoção nas noites maçantes e quase sem fim.
A vantagem de ser um corujão insone é que às três da madrugada estamos tão acesos quanto os torcedores no outro lado do mundo, em plena tarde de verão. Mas a insônia é uma espécie de pesadelo em noites passadas em branco. Pensei nisso quando vi a eliminação da Argentina. Impossível não vir à mente um conto de Jorge Luis Borges: “”Funes, o Memorioso”.

Linha de sombra

Ensaios/Críticas  

Psicanalista italiano e escritor amazonense analisam a cidade

Aos 451, São Paulo é objeto de visões “estrangeiras”
Ainda na ressaca dos 450 anos, São Paulo faz nesta terça um aniversário sem fanfarras. Para não passar os 451 em branco, a Revista convidou colaboradores para olhar a cidade por dentro e de fora. Suas psicopatologias são o foco do psicanalista milanês Contardo Calligaris. O fotógrafo Eder Chiodetto clicou cartões-postais alternativos, e Milton Hatoum dá a visão de quem chegou de Manaus.

O livro dos medos

Infanto juvenil  

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Editora Companhia das Letras

De Primeira Viagem

Infanto juvenil  

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A descoberta do amor sensual, o medo da noite urbana, o universo febril do rock, o relacionamento conflituoso entre pai e filho, tristezas, alegrias e mistérios próprios da juventude alternam-se nesta antologia, organizada segundo o desafio de escrever a partir da metáfora “marinheiros de primeira viagem”. Milton Hatoum narra um dos momentos mais importantes da juventude: a primeira relação amorosa. Num conto escrito com astúcia e sutileza, a primeira noite de um homem marca seu ingresso na vida adulta, carregada de sentimentos novos, como melancolia, autoconsciência e vergonha. Ana Miranda apresenta o primeiro amor, platônico e delicado, de uma garota que, ao se apaixonar por um jogador de basquete, sente o impacto da sensualidade romper o ambiente protetor de sua adolescência de menina bem-nascida. Moacyr Scliar inverte as regras do jogo: o jovem protagonista de seu conto tem mais juízo que o pai, um homem de profissão indefinida que, para ganhar dinheiro fácil e viver o sonho da juventude eterna, aceita um inusitado pacto com o demônio. Para Fernando Bonassi, correr risco de vida — como num naufrágio — é sair para uma caminhada na noite paulistana: no espaço conflagrado da metrópole contemporânea, um jovem sozinho na rua é sinal […]

Crônicas publicadas na Coluna Norte, da Revista Entrelivros

Crônicas  

entre maio/2005 a dezembro/2007

Um sonhador

Crônicas  

Aprendi a navegar no escuro antes de ler e escrever. Meu pai me ensinou a remar e a encontrar canal em época de vazante. Isso num tempo em que havia estações. Em setembro, os rios ficaram tão rasos que os peixes foram aprisionados em lagos que nunca foram lagos. Mortos. E um cheiro de cinzas no ar. Meus pais não viram esse céu de ferrugem que esconde o sol. Velhos, nem falavam mais no futuro… Agora aparecem juntos e enlaçados, assombrados que nem fantasmas. Dizem que no Sul os rios morreram há muito tempo, e que há guerra e flagelos nas grandes cidades. Por aqui, de qualquer coisa se morre, e até malária enterra crianças. Violência, doenças: quem pode desmentir seu próprio sofrimento? Do Sul e da outra metade do país tenho notícias por umas moças que trazem palavras para o nosso povoado. Há poucos anos elas chegaram com caixas de livro s e começaram a contar histórias para as crianças. Lembro que na nossa infância os mais velhos também contavam muitas histórias, mas desde que o último avô morreu, um silêncio misterioso fechou a boca de várias gerações. As moças foram embora com a promessa de que voltariam. Os […]