Críticas/Artigos (31)

Órfãos do Eldorado, Digestivo Cultural

Críticas/Artigos  

Milton Hatoum está no auge. O leitor do presente talvez não saiba o que é isso. A literatura brasileira esteve no seu auge entre o fim do século XIX, início do século XX, com Machado de Assis e Euclides da Cunha; depois, em algum momento, entre os anos 30, a partir da Segunda Geração Modernista, passando pela Geração de 45, e os anos 60, com João Cabral e Guimarães Rosa (antes da invasão do audiovisual). E depois? Nunca mais? Sem uma resposta que não ofenda as gerações de 70, 80 e até 90, a literatura brasileira vive outro grande momento agora, com Milton Hatoum. Depois de ler Dois Irmãos (2000), Cinzas do Norte (2005) e, neste instante, Órfãos do Eldorado (2008) é impossível não situar a produção de Milton Hatoum na melhor tradição da literatura brasileira. leia o texto completo: http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1414

Romance é mais seco e mantém jogo de duplos, por Heitor Ferraz Melo

Críticas/Artigos, Sobre o autor  

No universo ficcional de Milton Hatoum, Manaus sempre surge, como uma espécie de personagem, uma cidade entre a província e a turbulência da metrópole, um canto do mapa do país onde a vida parece sair dos modos mais arcaicos de produção para um capitalismo ruidoso e destruidor, pois é sempre precário. Não só Manaus mostra suas caras, fases e precariedades: seus personagens de “carne e osso” parecem sofrer de um desenraizamento e todo o passado de cada um deles é algo sempre nebuloso, com segredos. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1308200508.htm

Um narrador, dois irmãos e o retrato do povo brasileiro, por Luís Augusto Fisher

Críticas/Artigos, Sobre o autor  

Numa de suas tiradas sintéticas e agudas, Oswald de Andrade fala do povo brasileiro como sendo composto por habitantes naturais (os índios), imigrados, traficados e turistas. Está no “Manifesto Antropófago”, de 1928. A piada está em dimensionar ironicamente nossa condição: o que não é nativo, por sinal, pouco do que havia originalmente, veio de fora. Tocado pelo chicote, como os escravos africanos, tocado pela fome, como os imigrantes pobres, ou ainda tocado pela curiosidade de ver como funciona isso aqui e talvez ganhar algum, como as elites migratórias de ontem e de hoje.
É óbvio, mas precisou alguém perceber o detalhe que nos faz sentir o que o crítico Roberto Schwarz chamou de “torcicolo cultural”: essa sensação que sempre estamos desconfortáveis quanto à identidade.

“A cidade flutuante”, por Leyla Perrone Moisés – Jornal de Resenhas, Folha de São Paulo, 12 de agosto de 2000

Críticas/Artigos  

Valeu a pena esperar 11 anos pelo segundo romance de Milton Hatoum. “Dois Irmãos” revela um notável amadurecimento do romancista, promissor em “Relato de um Certo Oriente”, e agora dotado do domínio pleno de sua temática e de seus meios.
Este romance tem muitas qualidades. A mais sedutora talvez seja, como no anterior e mais do que naquele, a ambientação: Manaus, o clima, as cores e principalmente os odores (“um cheiro que morreu nos tajás da minha moita”). Assim como a vegetação equatorial, na qual as plantas estão permanentemente morrendo e florescendo, numa mistura de podridão e verdor, a cidade de Milton Hatoum é uma ruína pululante de vitalidade. O cheiro da floresta ali se mistura com o cheiro de lodo. A Cidade Flutuante, bairro de palafitas cuja destruição é narrada no fim do romance, poderia ser uma metáfora dessa cidade suspensa na memória do romancista, cidade cujas misérias ele desejaria esquecer, e de cujos encantos ele se mantém cativo.

“O romance de Milton Hatoum”, de Luis Costa Lima

Críticas/Artigos  

Intervenções, Edusp, 2002

“Ecos do Norte. A representação do espaço amazônico na literatura de Milton Hatoum”, de Maria Isabel Edom Pires

Críticas/Artigos  

Sobre a obra de Milton Hatoum, a crítica literária brasileira, desde a estréia em 1989, tem reconhecido seus méritos e não são poucas as abordagens que os romances têm recebido de lá para cá. São resenhas, artigos, ensaios, críticas de rodapé, teses acadêmicas com a assinatura e a orientação de nomes dos mais prestigiados no meio cultural. [1] Três aspectos são levantados correntemente: a imigração libanesa, o regionalismo presente ou não na obra do escritor amazonense e a presença da tradição literária que ao mesmo tempo em que agrega filiações também aponta para rupturas. Sobre a relação da obra de Milton Hatoum com o espaço amazônico, tema deste artigo, a crítica tem apontado ora uma atualização do regionalismo (Tânia Pellegrini[2]), ora uma associação entre o exótico e a questão da alteridade (José Leonardo Tonus[3]). Se a pesquisadora Tânia Pellegrini designa o regionalismo nos dois primeiros romances do autor como a ambiência no espaço amazônico, impulsionado pela relativização do exótico, “no sentido de que só está presente para quem não o conhece;”[4] José Leonardo Tonus questiona acerca da marginalização que a estratégia narrativa do exótico e do exotismo recebe em tempos pós-coloniais. Sua intenção é a de mostrar alguns exemplos de [...]

“Reflexos do Eldorado”, de Sylvia Telarolli

Críticas/Artigos  

Nesta comunicação pretende-se fazer uma leitura  do romance Órfãos do Eldorado (2008), de Milton Hatoum, escritor cuja produção se volta à exploração do Norte brasileiro,  observando especialmente o modo como no texto se configura a abordagem do mito do Eldorado, da “cidade encantada”, submersa nas águas do Amazonas, alimento para a cobiça e o sonho de  navegantes e aventureiros  e esperança dos nativos . O espaço do norte é  horizonte tão desejado quanto distante, gravado no mapa com o sangue e a vida de conquistadores e  escravizados, lugar da luta e do devaneio,  da opulência e da miséria. Milton Hatoum tem publicados até hoje quatro  romances, Relato de um certo Oriente (1989), Dois irmãos (2000) , Cinzas do norte (2005) e Órfãos do Eldorado (2008); o espaço de tempo que separa as  publicações evidencia o cuidado e o perfeccionismo  dedicados a sua concepção, confirmados pelo próprio escritor quando informa reescrever seus textos inúmeras vezes (Hatoum afirma ter reescrito 23 vezes o romance Dois irmãos, por exemplo). A recepção bastante favorável  da crítica à produção do escritor corrobora a qualidade literária  que até mesmo uma leitura ingênua pode constatar. Sem sombra de dúvidas Miltom Hatoum é hoje um dos melhores escritores [...]

Milton Hatoum e a condição extemporânea do romance, por Luis Dolhnikoff

Críticas/Artigos  

Entre a segunda metade do século XIX e o início do XX, o romance, então em sua “fase áurea”, foi a linguagem por excelência que deu a conhecer a si mesmo o mundo urbano, industrial, burguês, enfim, capitalista (como na grande tríade francesa, Balzac-Flaubert-Proust), assim como a épica foi a linguagem do mundo clássico, guerreiro e aristocrático. Tal mundo, no entanto, além de conhecido (em grande parte pelo próprio romance), não é mais um “mundo”, no sentido de ser, agora, alguma coisa em transformação acelerada.

Artes Tardias: José Saramago e Milton Hatoum, de Mirella Márcia Longo

Críticas/Artigos  

Hoje, vou falar do artista plástico que protagoniza Cinzas do Norte, romance do brasileiro Milton Hatoum; e também do violoncelista que domina o último segmento de As Intermitências da Morte, texto de José Saramago. As duas personagens lutam contra elementos letais.

“A Arte de Mundo: palavras e formas plásticas”, de Mirella Márcia Longo

Críticas/Artigos  

       Meu texto integra um estudo mais amplo centrado em personagens da literatura contemporânea. Essas personagens têm em comum o fato de serem artistas. Hoje, vou-me deter em um artista plástico cuja vida trágica constitui o centro de Cinzas do Norte, romance que Milton Hatoum publicou em 2005.        Começando a desenhar obsessivamente aos cinco anos, Raimundo, ou melhor, Mundo, começa também a enfrentar uma série de atos violentos impostos por seu pai. Decidido a formar o perfil do seu herdeiro, o proprietário de terras Trajano Matoso, Jano, empenha-se em destruir, no filho, o artista. Reprimido e perseguido, Mundo encontra, numa hipertrofiada revolta, a principal substância das suas formas plásticas e o móvel primordial das suas ações. Iniciado no âmbito doméstico, o trabalho corrosivo de combate ao artista desdobra-se e assume outras feições, ao longo do enredo. A menos sutil dessas faces é a da polícia política que o encarcera e precipita a sua errância pela Europa. Quando, já doente, regressa ao Rio e sai despido, numa espécie de happening em que se apresenta como índio, um filho da lua a celebrar o declínio da ditadura militar, Mundo é novamente preso, espancado e finalmente morre numa clínica.        Em larga [...]