De Primeira Viagem

Infanto juvenil

 

A descoberta do amor sensual, o medo da noite urbana, o universo febril do rock, o relacionamento conflituoso entre pai e filho, tristezas, alegrias e mistérios próprios da juventude alternam-se nesta antologia, organizada segundo o desafio de escrever a partir da metáfora “marinheiros de primeira viagem”.

Milton Hatoum narra um dos momentos mais importantes da juventude: a primeira relação amorosa. Num conto escrito com astúcia e sutileza, a primeira noite de um homem marca seu ingresso na vida adulta, carregada de sentimentos novos, como melancolia, autoconsciência e vergonha.

Ana Miranda apresenta o primeiro amor, platônico e delicado, de uma garota que, ao se apaixonar por um jogador de basquete, sente o impacto da sensualidade romper o ambiente protetor de sua adolescência de menina bem-nascida.

Moacyr Scliar inverte as regras do jogo: o jovem protagonista de seu conto tem mais juízo que o pai, um homem de profissão indefinida que, para ganhar dinheiro fácil e viver o sonho da juventude eterna, aceita um inusitado pacto com o demônio.

Para Fernando Bonassi, correr risco de vida — como num naufrágio — é sair para uma caminhada na noite paulistana: no espaço conflagrado da metrópole contemporânea, um jovem sozinho na rua é sinal de suspeita e perigo, pelo menos sob a ótica da polícia.

“Cair na real” é como normalmente se descreve a passagem para a vida adulta. No texto de Paulo Bloise o encontro com a realidade se traduz na loucura estampada nos olhos da mulher amada. Seu conto descreve o instante em que se descobre a fragilidade da condição humana.

Contos de fadas que se enredam em outras histórias — secretas ou familiares, reais ou imaginárias — constituem o centro do relato de Heloisa Prieto. Ao ocupar o lugar de contadora de histórias pela primeira vez, uma jovem professora surpreende-se com a sinceridade do amor infantil e com a sabedoria das crianças diante da idéia da morte.

O conto de Tony Bellotto narra a primeira reportagem de um rapaz que tenta descobrir o paradeiro de um antigo ídolo do rock brasileiro. Ao mesmo tempo ousado e lúcido, o texto explicita a falta de sentido do universo da fama, em que convivem ídolos de massa e seus fãs.

Textos de dois autores consagrados completam o volume: duas iluminuras de Arthur Rimbaud e o conto “Juventude”, de Joseph Conrad. Na narrativa de Conrad, o marinheiro Marlow recorda sua primeira grande aventura na marinha mercante. Nessa travessia, a alma do rapaz interpenetra-se com o mar, norteando toda sua existência futura — metáfora que traduz à perfeição a presença oceânica das experiências da juventude na vida humana.

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