Representações do intelectual, de Edward Said

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Representações do intelectual reúne seis conferências de Edward Said  transmitidas pela BBC – as prestigiosas Reith Lectures, de que participaram grandes intelectuais europeus e norte-americanos, desde a inauguração do programa em 1948 por Bertrand Russell.

O livro ocupa um lugar proeminente na vasta obra de Said, porque enlaça a sua vida profissional – professor de literatura,  pensador da cultura, crítico de música – com sua militância política. No conjunto dos ensaios, o leitor percebe que essas duas atividades são inseparáveis, a exemplo da vida e obra de Sartre, Adorno e Gramsci. Said recorre a esses intelectuais e a romancistas como Flaubert, James Joyce, Turguêniev e Virginia Woolf para examinar a relação do intelectual com o poder, a imprensa, as instituições e as grandes corporações. Uma de suas críticas mais contundentes dirige-se aos que se deixam levar por dogmas religiosos, patriotadas, questões estritamente nacionalistas e por um profissionalismo exacerbado.  Ele tenta mostrar que, para o intelectual secular, os deuses sempre falham, e que o profissionalismo e a especialização extremados podem significar alienação e indiferença.

Para o autor de Orientalismo, o intelectual deve ser um amador e dissidente atuando à margem do poder, e não um especialista confinado em sua área de pesquisa ou atuação. Ou, o que é mais grave, cooptado a ponto de se calar ou dizer apenas meias-verdades – quando não mentiras –  sobre guerras, massacres e questões políticas.

Nesses ensaios, a metáfora mais forte da figura do intelectual é a do exilado, materializado na vida e obra de Adorno e num personagem de Joyce, Stephen Dedalus,  ambos exemplos de primeira grandeza.

A prosa elegante e erudita de Said, seu olhar compassivo aos mais desfavorecidos e pouco representados, sua visão humanista que combina pensamento crítico e compreensão da história, tudo isso faz desse livro uma reflexão vigorosa sobre o papel do intelectual no mundo contemporâneo.

Edward W. Said (1935-2003) nasceu em Jerusalém. Foi educado no Cairo e em Nova Iorque, onde lecionou literatura na Universidade Columbia. Um dos mais importantes críticos literários e culturais dos Estados Unidos, Said é autor de dezenas de livros e artigos sobre cultura e política. De sua autoria, a Companhia das Letras já publicou Orientalismo (1990), Cultura e imperialismo (1995), Reflexões sobre o exílio (2003), Paralelos e Paradoxos (com Daniel Barenboim, 2003) e Fora do lugar (2004).

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