A cidade ilhada (2)

A cidade ilhada

Contos  

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Como disse uma vez o escritor argentino Julio Cortázar, o conto é uma pequena e perfeita esfera verbal que guarda uma única semente a ponto de eclodir. A semente pode ser de qualquer natureza — um lugar, um rosto, um episódio —, contanto que as mãos hábeis do bom contista saibam torná-la o ponto central a partir do qual se forma a esfera narrativa. Desse feitio, justamente, são os contos que Milton Hatoum reuniu em A cidade ilhada: relances da experiência vivida recolhidos em tramas brevíssimas, de dicção enxuta, em que tudo ganha nitidez máxima — e máximo poder de iluminação. As sementes destes contos não poderiam ser mais diversas: a primeira visita a um bordel em “Varandas da Eva”; uma passagem de Euclides da Cunha em “Uma carta de Bancroft”; a vida de exilados em “Bárbara no inverno” ou “Enco fast cash advance ntros na península”; o amor platônico por uma inglesinha em “Uma estrangeira da nossa rua”. Com mão discreta e madura, Hatoum trabalha esses fragmentos da memória até que adquiram, sem que se adivinhe como ou quando, outro caráter: frutos do acaso e da biografia pessoal, eles afinal se mostram como imagens exemplares do curso de nossos […]

Milton Hatoum lança seus contos em A cidade ilhada, por Rodrigo Turrer – Revista Época, 4 de outubro de 2009

Notícias/Entrevistas  

O ficcionista amazonense Milton Hatoum seguiu no contrafluxo do caminho percorrido por seus colegas. Em vez de começar nos contos para então se dirigir ao romance, Hatoum se lançou na carreira com o impecável Relato de um certo oriente. Quase 20 anos, três romances e muitos prêmios depois, o autor hoje consagrado arrisca-se agora no conto. Ou, pelo menos, a reunir sua produção esparsa no gênero em seu novo livro, A cidade ilhada
(Companhia das Letras, 130 páginas, R$ 31).