Cinzas do Norte (5)

Espaço da identidade: a relação entre espaço e personagens em Cinzas do Norte e Órfãos do Eldorado, por Fernanda Boarin Boechat – dissertação de mestrado, Universidade Federal do Paraná –Curitiba/2011

Deutsch, Erzählung  

Resumo No presente trabalho propõe-se a análise do espaço literário nas obras Cinzas do Norte (2005) e Órfãos do Eldorado (2008), de Milton Hatoum, segundo uma perspectiva que o toma como espaço da identidade. O espaço da identidade é compreendido como uma dimensão formal do espaço em literatura, que revela processos de identificação das personagens. Nesse sentido, procura-se expor no primeiro capítulo, a partir de uma perspectiva antropológica ampla que considera os Estudos Literários em diálogo com outras áreas do saber, uma reflexão que se volta para a noção de identidade, em especial na sociedade contemporânea. Em um segundo momento, expõe-se uma reflexão teórica sobre o estudo do espaço em literatura, em diálogo com outras áreas do saber. No terceiro capítulo, apresenta-se de início uma breve explanação sobre o autor e sua obra, e parte da fortuna crítica publicada em jornais e revistas; segue então uma análise do espaço literário nas obras, que remete indiretamente à discussão teórica exposta nos dois primeiros capítulos, de modo que a configuração espacial dos romances relaciona-se, como que por si mesma, aos apontamentos teóricos anteriores. Propõe-se por fim, na conclusão, uma abordagem da configuração espacial no âmbito dos Estudos Literários como elemento revelador de […]

Os despojos da revolta. Por Fábio de Souza Andrade – Folha de S.Paulo, 17/09/2005

Críticas/Artigos  

Mais de 15 anos depois da grata surpresa de “Relato de um Certo Oriente” (1989), confirmada por “Dois Irmãos” (2000), “Cinzas do Norte”, de Milton Hatoum, veio à luz cercado de grande expectativa: a de uma escrita fina que burila, ao mesmo tempo e co viagra tablets m igual desenvoltura, a intimidade da memória e do romance familiar e a novidade literária de uma matéria narrativa insuficientemente conhecida, a Amazônia do pós-guerra. Não o faz com arroubos experimentalistas -o que lhe vale narizes secretamente torcidos dos que não crêem na possibilidade de atualização crítica do romance na tradição flaubertiana- nem tampouco com ímpeto oportunista, escritor “sem fronteira” em missão não-governamental, denunciando a dilapidação da floresta em perspectiva atraente à maré planetária das ONGs e à curiosidade estrangeira. Uma carta-testamento, último vestígio de um amigo cuja revolta o tempo engoliu, a memória de um primeiro encontro entre dois meninos, à margem de um cais, e eis o leitor fisgado, convidado a ingressar no labirinto de igarapés e caminhos que conduzem de um extremo a outro. A travessia coincide com o fim do banquete de sobras da opulência extrativista, a vigarice empertigada das fortunas consolidadas à sombra do poder militar, as tímidas […]

Cinzas do Norte – Companhia das Letras, edição de bolso, 2010

Romances  

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Romance é mais seco e mantém jogo de duplos, por Heitor Ferraz Melo

Críticas/Artigos, Sobre o autor  

No universo ficcional de Milton Hatoum, Manaus sempre surge, como uma espécie de personagem, uma cidade entre a província e a turbulência da metrópole, um canto do mapa do país onde a vida parece sair dos modos mais arcaicos de produção para um capitalismo ruidoso e destruidor, pois é sempre precário. Não só Manaus mostra suas caras, fases e precariedades: seus personagens de “carne e osso” parecem sofrer de um desenraizamento e todo o passado de cada um deles é algo sempre nebuloso, com segredos. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1308200508.htm

Cinzas do Norte

Romances  

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Cinzas do Norte, terceiro romance de Milton Hatoum, é o relato de uma longa revolta e do esforço de compreendê-la. A revolta cabe a Raimundo, rebento raivoso de uma família cindida ao meio e cuja vocação artística colide com os planos do pai; a tentativa de compreensão recai sobre Olavo, órfão industrioso que sobe na vida – se esse é o termo – à sombra imperial de Trajano Mattoso, pai de Mundo, comerciante rico, amigo de militares. O centro simbólico do livro não está, contudo, na Manaus do pós-guerra que vive os últimos dias da boa-vida extrativista e onde boa parte da ação se dá, mas rio abaixo, em Vila Amazônia, palacete junto a Parintins, sede de uma plantação de juta e pesadelo máximo de Mundo. Em sua luta renhida por escapar às ambições dinásticas do pai, Mundo distancia-se o quanto pode desse ponto-morto do romance, puxando o fio do enredo para o Rio de Janeiro, a Berlim e a Londres efervescentes da década de 1970. Advogado medíocre na cidade natal que o regime militar precipita em destruição vertiginosa, Lavo acompanha à distância os passos do amigo, recolhendo os reflexos do baile – para citar um outro romance sobre os […]