Clarice Lispector (1)

Clarice Lispector (1920-1977) – El País

Ensaios/Críticas  

“A verdade é sempre um contacto interior inexplicável. A verdade é irreconhecível. Portanto não existe? Não, para os homens não existe”. Clarice Lispector, A hora da estrela (1977) Em 1920, aos dois meses de idade, Clarice Lispector fez sua primeira grande travessia, da longínqua Rússia ao Nordeste do Brasil. Filha de imigrantes judeus ucranianos, Clarice cresceu no calor de Recife (Pernambuco), onde morou dez anos; perdeu a mãe em 1930, e dez anos depois mudou-se com o pai e as duas irmãs para o Rio de Janeiro. A partir de 1944, quando se casou com um diplomata, morou em Belém (Pará), nos Estados Unidos e em vários países da Europa; durante a longa permanência no exterior, com temporadas no Brasil, escreveu e publicou dois romances (O Lustre e A Cidade Sitiada) e um livro de contos. Em 1959, quando voltou definitivamente ao Rio, já era considerada uma das maiores escritoras brasileiras. Recife, a cidade da infância e da juventude, foi a fonte dos primeiros escritos, de vários contos de Felicidade Clandestina (1971) e de crônicas publicadas no Jornal do Brasil. O drama pungente do imigrante do Nordeste aparece também na figura de Macabéa, uma pobre moça de Maceió (Alagoas), cujo destino […]