Folha de S.Paulo (8)

Os despojos da revolta. Por Fábio de Souza Andrade – Folha de S.Paulo, 17/09/2005

Críticas/Artigos  

Mais de 15 anos depois da grata surpresa de “Relato de um Certo Oriente” (1989), confirmada por “Dois Irmãos” (2000), “Cinzas do Norte”, de Milton Hatoum, veio à luz cercado de grande expectativa: a de uma escrita fina que burila, ao mesmo tempo e co viagra tablets m igual desenvoltura, a intimidade da memória e do romance familiar e a novidade literária de uma matéria narrativa insuficientemente conhecida, a Amazônia do pós-guerra. Não o faz com arroubos experimentalistas -o que lhe vale narizes secretamente torcidos dos que não crêem na possibilidade de atualização crítica do romance na tradição flaubertiana- nem tampouco com ímpeto oportunista, escritor “sem fronteira” em missão não-governamental, denunciando a dilapidação da floresta em perspectiva atraente à maré planetária das ONGs e à curiosidade estrangeira. Uma carta-testamento, último vestígio de um amigo cuja revolta o tempo engoliu, a memória de um primeiro encontro entre dois meninos, à margem de um cais, e eis o leitor fisgado, convidado a ingressar no labirinto de igarapés e caminhos que conduzem de um extremo a outro. A travessia coincide com o fim do banquete de sobras da opulência extrativista, a vigarice empertigada das fortunas consolidadas à sombra do poder militar, as tímidas […]

Livro de Hatoum lembra jogo de paciência, por Flora Sussekind – Folha de S.Paulo, 29/04/1989

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Como numa das últimas aquarelas de Paul Klee, “Ele rema desesperadamente” (1940), é um personagem franzino, composto de poucos traços, sozinho numa canoa, sem rumo ou porto claramente perceptíveis, que parece figurar o narrador em “Relato de um certo Oriente”, romance de estréia de Milton Hatoum. http://www.miltonhatoum.com.br/wp-content/uploads/2011/03/Relato_Folha_1989.jpg

Nasce a nova literatura. Por Maria Ercília – Revista d´, Folha de S.Paulo, 25 de novembro de 1990

Críticas/Artigos  

A terra de Milton Hatoum tem palmeiras que ele não quer perder de vista. As palmeiras de Milton Hatoum têm mais pássaros que as palmeiras da costa, e delas pendem orquídeas que ele nomeia sem dificuldade. (…) http://www.miltonhatoum.com.br/wp-content/uploads/2011/03/Relato_Revista-d´1_25Nov1990.jpg http://www.miltonhatoum.com.br/wp-content/uploads/2011/03/Relato_Revista-d´2_25Nov1990.jpg http://www.miltonhatoum.com.br/wp-content/uploads/2011/03/Relato_Revista-d´3_25Nov1990.jpg http://www.miltonhatoum.com.br/wp-content/uploads/2011/03/Relato_Revista-d´4_25Nov1990.jpg http://www.miltonhatoum.com.br/wp-content/uploads/2011/03/Relato_Revista-d´5_25Nov1990.jpg http://www.miltonhatoum.com.br/wp-content/uploads/2011/03/Relato_Revista-d´6_25Nov1990.jpg

A ilha flutuante. Por Luiz Costa Lima – Caderno Mais!, Folha de S.Paulo, 24 de setembro de 2000

Críticas/Artigos  

Em “Dois Irmãos”, de Milton Hatoum, estamos diante de uma cidade sem raízes, formada por estratos que se dissipam e desaparecem quase sem vestígios. http://www.miltonhatoum.com.br/wp-content/uploads/2011/03/DoisIrmãos_CostaLima_set_2000.jpg

Uma outra história, por Arthur Nestrovski – Caderno Mais!, Folha de S.Paulo, 11 de junho de 2000

Críticas/Artigos  

O romancista Milton Hatoum consegue escapar do exotismo, em “Dois Irmãos”, ao dramatizar com distanciamento a saga de uma família de imigrantes libaneses na Manaus do início do século.

Um narrador, dois irmãos e o retrato do povo brasileiro, por Luís Augusto Fisher

Críticas/Artigos, Sobre o autor  

Numa de suas tiradas sintéticas e agudas, Oswald de Andrade fala do povo brasileiro como sendo composto por habitantes naturais (os índios), imigrados, traficados e turistas. Está no “Manifesto Antropófago”, de 1928. A piada está em dimensionar ironicamente nossa condição: o que não é nativo, por sinal, pouco do que havia originalmente, veio de fora. Tocado pelo chicote, como os escravos africanos, tocado pela fome, como os imigrantes pobres, ou ainda tocado pela curiosidade de ver como funciona isso aqui e talvez ganhar algum, como as elites migratórias de ontem e de hoje.
É óbvio, mas precisou alguém perceber o detalhe que nos faz sentir o que o crítico Roberto Schwarz chamou de “torcicolo cultural”: essa sensação que sempre estamos desconfortáveis quanto à identidade.

“A cidade flutuante”, por Leyla Perrone Moisés – Jornal de Resenhas, Folha de S. Paulo, 12 de agosto de 2000

Críticas/Artigos  

Valeu a pena esperar 11 anos pelo segundo romance de Milton Hatoum. “Dois Irmãos” revela um notável amadurecimento do romancista, promissor em “Relato de um Certo Oriente”, e agora dotado do domínio pleno de sua temática e de seus meios.
Este romance tem muitas qualidades. A mais sedutora talvez seja, como no anterior e mais do que naquele, a ambientação: Manaus, o clima, as cores e principalmente os odores (“um cheiro que morreu nos tajás da minha moita”). Assim como a vegetação equatorial, na qual as plantas estão permanentemente morrendo e florescendo, numa mistura de podridão e verdor, a cidade de Milton Hatoum é uma ruína pululante de vitalidade. O cheiro da floresta ali se mistura com o cheiro de lodo. A Cidade Flutuante, bairro de palafitas cuja destruição é narrada no fim do romance, poderia ser uma metáfora dessa cidade suspensa na memória do romancista, cidade cujas misérias ele desejaria esquecer, e de cujos encantos ele se mantém cativo.

“Naufrágio da tradição”, de Luiz Costa Lima – Folha de S.Paulo, 06 de abril de 2008

Críticas/Artigos  

  Naufrágio da tradição Em “Órfãos do Eldorado”, Milton Hatoum se afasta da tradição novelesca europeia e despreza a abordagem regionalista LUIZ COSTA LIMA COLUNISTA DA FOLHA Por sua configuração mais curta, a novela exige um relato sintético. Como, entretanto, fazer com que o menor espaço narrativo não prejudique a complexidade do relato? Nenhuma resposta abstrata é cabível. Só podemos apontar para casos modelares. Por exemplo, para o “Órfãos do Eldorado”, o novo livro de Milton Hatoum. Para o leitor que conheça seus três romances anteriores e que ainda não haja lido a recente novela essa poderia parecer a retomada de uma temática de perda e dissipação, tendo como espaço Manaus e o Amazonas. A impressão estará correta desde que o leitor não confunda retomada com repetição. É a síntese própria da novela que impõe a diferença. A diferença será melhor compreendida se antes formularmos o horizonte que envolve essa novela e as obras anteriores. Em comum, Hatoum despreza a abordagem de tanto prestígio entre nós, fixada entre as décadas finais do século 19 e as primeiras do 20: a abordagem regionalista -uma espécie de realismo de costumes. Despreza-o para que estabeleça uma outra deriva entre a narrativa mítica e […]